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segunda-feira, 10 de maio de 2010

As espécies narrativas: A crônica e o conto

A crônica


Muitas vezes é difícil estabelecer a diferença entre o conto e a crônica, pois desta participam personagens, o tempo e o espaço estão claramente definidos e um pequeno enredo é desenvolvido. Trata-se de um fato do cotidiano, mesmo quando apresenta um caráter atemporal. É uma forma que, nos dias de hoje, manteve ingredientes da literatura e da simples comunicação.


Curta, a crônica limita-se a narrar um incidente ou apenas comentá-lo; capta um flagrante da vida, pitoresco, real ou imaginário, com ampla variedade temática e num tom poético, embora coloquial da linguagem oral. Tem o seu radical em cronos (tempo), impondo-se, nesse sentido, por uma característica de síntese, de rapidez.


Ao tratar de fatos ou acontecimentos que caracterizam uma parte da sociedade, a crônica exprime o estado emotivo do cronista (crônica lírica), apresenta uma reflexão a partir de um fato ou evento (crônica filosófica), dá-nos uma visão irônica ou cômica dos fatos (crônica humorística) ou trata de aspectos particulares da notícia ou dos fatos (crônica esportiva, policial, política etc).


Provavelmente, o seu aparecimento é antigo. Sabemos dos costumes das dinastias em manter cronistas, a fim de relatar os acontecimentos importantes da corte. São conhecidos os cronistas portugueses, como Rui de Pina, Zurara e outros. Assim foram os séculos XV e o XVI.


Normalmente, o autor é o narrador, atuando num ponto de vista interno, completamente onisciente. Ele conhece a história, embora não participe muitas vezes. Daí a constância da 3ª pessoa.


Machado de Assis foi o nosso primeiro grande cronista, seguido por nomes como Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Fernando Sabino, Stanislaw Ponte Preta, Luís Fernando Veríssimo, Lourenço Diaféria etc Figurando quase sempre em jornal ou revista, a crônica geralmente traz ao leitor, em tom humorístico, o dia-a-dia da cidade.


A crônica é quase sempre um texto curto, apressado (geralmente o cronista escreve para o jornal alguns dias da semana, ou tem uma coluna diária), redigindo numa linguagem descompromissada, muito próxima ao leitor. A crônica a seguir (´´A casa das ilusões perdidas``), por exemplo, tem por base um acontecimento do cotidiano, o caso da troca de um bebê por uma casa, colhido no noticiário geral:

A casa das ilusões perdidas


Quando ela anunciou que estava grávida, a primeira reação dele foi de desagrado, logo seguida de franca irritação. Que coisa, disse, você não podia tomar cuidado, engravidar logo agora que estou desempregado, numa pior, você não tem cabeça mesmo, não sei o que vi em você, já deveria ter trocado de mulher havia muito tempo. Ela, naturalmente, chorou, chorou muito. Disse que ele tinha razão, que aquilo fora uma irresponsabilidade, mas mesmo assim queria ter o filho. Sempre sonhara com isso, com a maternidade — e agora que o sonho estava prestes a se realizar, não deixaria que ele se desfizesse.

— Por favor, suplicou. — Eu faço tudo que você quiser, eu dou um jeito de arranjar trabalho, eu sustento o nenê, mas, por favor, me deixe ser mãe.

Ele disse que ia pensar. Ao fim de três dias daria a resposta. E sumiu.

Voltou, não ao cabo de três dias, mas de três meses. Àquela altura ela já estava com uma barriga avantajada que tornava impossível o aborto; ao vê-lo, esqueceu a desconsideração, esqueceu tudo — estava certa de que ele vinha com a mensagem que tanto esperava, você pode ter o nenê, eu ajudo você a criá-lo.

Estava errada. Ele vinha, sim, dizer-lhe que podia dar à luz a criança; mas não para ficar com ela. Já tinha feito o negócio :trocariam o recém-nascido por uma casa. A casa que não tinham e que agora seria o lar deles, o lar onde — agora ele prometia — ficariam para sempre.

Ela ficou desesperada. De novo caiu em prantos, de novo implorou. Ele se mostrou irredutível. E ela, como sempre, cedeu.

Entregue a criança, foram visitar a casa. Era uma modesta construção num bairro popular. Mas era o lar prometido e ela ficou extasiada. Ali mesmo, contudo, fez uma declaração:

— Nós vamos encher esta casa de crianças. Quatro ou cinco, no mínimo.

Ele não disse nada, mas ficou pensando. Quatro ou cinco casas, aquilo era um bom começo.

(Moacyr Scliar, Folha de S.Paulo, 14.06.1999.)

Na crônica em questão, as personagens são apenas duas, as ações ocorrem na casa deles e o tempo de ação é maior do que o normal nesse tipo de gênero (um ano, no caso), pois a intenção do cronista (narrador observador) é narrar os fatos que precedem o acontecimento principal (a troca) para evidenciar a cumplicidade do casal, a frieza do marido, o absurdo de uma ação como essa.


O conto


Provavelmente, do latim commentu (invenção, ficção). Talvez o conflito entre Caim e Abel seja o primeiro conto que se conhece. Nos séculos XV e XVII é cultivado. Lembre-se a figura de Bocácio, assim como Miguel de Cervantes, La Fontaine e Quevedo.


Desenvolve-se bastante no século XIX. Surgem Flaubert, Balzac, Poe, Gogol, Hoffmann, Machado de Assis, Eça de Queirós, Herculano, Simões Neto etc.


No século XX aprimora-se mais ainda: Kafka, Joyce, Monteiro Lobato, Mário de Andrade, Alcântara Machado, Oswald de Andrade, Drummond, Manuel Bandeira, J.J.Veiga, Paulo Mendes Campos, Miguel Torga, Fernando Namora, entre outros.


No conto, a narrativa trabalha com uma série de incidentes em torno de um conflito, vivido por uma personagem, num só episódio, com início e desfecho muito próximos (narrativa de maior brevidade). A ação é restrita, assim como o espaço. Portanto a unidade de ação corresponde à unidade de espaço.


O cenário também é restrito. Pode ser considerado um embrião do romance ou novela. Assim, o tempo também é reduzido, com número reduzido de personagens. Predomina o diálogo, apresentando diversas vezes um epílogo enigmático (um fim completamente inesperado).


Constrói-se, amiúde, em diálogo interior ou monólogo. Um exemplo de diálogo interior é o conto O Ladrão, de Graciliano Ramos. Assim, a descrição, a narração e a dissertação quase não existem. Há uma precipitação (ou complicação) da primeira à última linha, com uma trama objetiva e normalmente linear. Seu principal valor está na beleza e na perfeição da história contada, com acentuado senso de fantástico e de simbólico.


O conto atualmente prolifera e se adapta às condições e exigências da clientela leitora. Há contos de conteúdo denso e psicológico (como os de Maupassant, Machado de Assis), impressionistas (como os de Fialho de Almeida), fantásticos (como os de Hoffmann), simbolistas (como os de Oscar Wilde), regionais (como os de Monteiro Lobato), de mistério e policiais (como os de Edgar Allan Poe, Conan Doyle), de fadas (como os dos irmãos Grimm, Perrault, Andersen), orientais (como os da ´´Mil e uma Noites``, os de Malba Tahan), de aventuras (como os de Kipling) etc.


No Brasil houve e há grandes cultores do conto, alguns com criações que ficaram famosas e nunca poderão ser esquecidas, como por exemplo: A Missa do Galo, de Machado de Assis; O Peru de Natal, de Mário de Andrade; O Negrinho do Pastoreiro, de J.Simões Lopes Neto; Laços de Família, de Clarice Lispector; A Doida, de Carlos Drummond de Andrade; Insônia, de Graciliano Ramos; Gaetaninho, de Alcântara Machado; O Homem que falava Javanês, de Lima Barreto; Meu conto de Maupassant, de Monteiro Lobato; O Plebiscito, de Artur Azevedo.


A forma curta do conto provém de um motivo interno à sua construção – o contista deve concentrar efeitos para ocasionar um determinado impacto no leitor. Toda a construção da narrativa direciona-se para propiciar esse efeito:


Mergulho II

“Na primeira noite, ele sonhou que o navio começara a afundar.

As pessoas corriam desorientadas de um lado para outro no tombadilho, sem lhe dar atenção. Finalmente conseguiu segurar o braço de um marinheiro e disse que não sabia nadar. O marinheiro olhou bem para ele antes de responder, sacudindo os ombros:”Ou você aprende ou morre”.

Acordou quando a água chegava a seus tornozelos.

Na segunda noite, ele sonhou que o navio continuava afundando. As pessoas corriam de outro para um lado, e depois o braço, e depois o olhar, o marinheiro repetindo que ou ele aprendia a nadar ou morria. Quando a água alcançava quase a sua cintura, ele pensou que talvez pudesse aprender a nadar. Mas acordou antes de descobrir.

Na terceira noite, o navio afundou.”

(Caio Fernando Abreu)


O miniconto Mergulho II, do livro Pedras de Calcutá, indicia o medo, a solidão e o fantástico . A água obviamente é o tema central, desta vez em um sonho no qual um navio começa a afundar. Um pesadelo banal se transforma em realidade.

5 comentários:

  1. Muito bom seu blog!! Bons contos parabéns!!
    Beijos
    http://laissz.blogspot.com/

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  2. muito bom o post, tirou muitas duvidas minhas sobre contos e crônicas, vou seguir seu blog, muito bom para quem se interessa em literatura
    =]
    :
    :
    http://bonecozumbie.blogspot.com/

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  3. Foi um ótimo aprendizado para os que ainda não tinham entendido qual a diferença entre contos e crônicas.
    Valeu por ter tirado minhas dúvidas.Tenho certeza de que
    vou tirar uma boa nota amanhã na prova de português!!!!

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  4. show de bola teu blog me ajudou no trabalho de potuguês

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  5. Um aprendizado muito bem colocado.
    Sálvio Sérgio
    http://salviosergiocampos.blogspot.com.br/

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