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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Soneto II - Cláudio Manuel da Costa





O inconfidente Claudio Manuel da Costa, ou Glauceste Satúrnio, foi um poeta de transição do Barroco para o Neoclassicismo. Seus poemas apresentam características de um e de outro estilo. As Obras Poéticas, que publicou em 1768, são consideradas como marco inicial do Neoclassicismo no Brasil. Repare que o estilo chega bem atrasado à nossa terra, já na segunda metade do século XVIII. Isso vai acontecer com outros estilos também: só depois que se firmam na Europa é que chegam a nós. O atraso, entretanto; não diminui sua importância.

Cláudio fez questão de deixar em seus poemas espaço para Minas Gerais, a terra que ele amava. Escreveu um poema épico, Vila Rica, de valor mais histórico do que literário, pelas informações sobre a descoberta das minas, a fundação da cidade e as primeiras revoltas do lugar, como também poemas líricos em que a presença da natureza mineira é marcante. Leia, por exemplo, este belo soneto em que o poeta fala do rio de sua terra, repleto de ouro e alvo de cobiça, muito diferente dos tranquilos rios de Portugal.

Leia a posteridade, ó pátrio Rio, 
Em meus versos teu nome celebrado; 
Por que vejas uma hora despertado 
O sono vil do esquecimento frio: 

Não vês nas tuas margens o sombrio, 
Fresco assento de um álamo copado; 
Não vês ninfa cantar, pastar o gado 
Na tarde clara do calmoso estio. 

Turvo banhando as pálidas areias 
Nas porções do riquíssimo tesouro 
O vasto campo da ambição recreias. 

Que de seus raios o planeta louro 
Enriquecendo o influxo em tuas veias,
Quanto em chamas fecunda, brota em ouro.

Vocabulário:
Planeta louro: o sol.
Influxo: o equivalente a maré-cheia, no rio.

O texto transcrito corresponde ao soneto II das Obras de Cláudio Manuel da Costa, apresentando versos de dez sílabas, chamados decassílabos, com rimas opostas (esquema ABBA), nos quartetos e alternadas (esquema CDCDCD), nos tercetos. É interessante notar, nas estrofes iniciais, como o eu lírico procura demonstrar que, embora não apresente as características comuns ao lócus amoenus árcade, a natureza pátria também é digna de ser celebrada. O imperativo ´´Leia``, que abre o poema, revela a celebração do ´´pátrio Rio``.

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Sendo assim, a 1ª estrofe apresenta o eu lírico dirigindo-se ao rio de sua terra natal ( o Ribeirão do Carmo, que passa por Mariana), comunicando-lhe que vai tomá-lo como motivo poético, o que fará com que ele, rio, seja conhecido pela posteridade e, portanto, resgatado do esquecimento( porque ninguém o celebrara ainda , antes dele). Celebrando o pátrio Rio (observar o hipérbato, ou seja, a inversão sintática do período, no 2º verso), pretende-se despertá-lo do sono vil (uma metáfora da morte) do esquecimento frio.
A 2ª estrofe se inicia e se desenvolve através de um processo negativo. Mostra que o rio de sua terra não integra uma paisagem poética típica da poesia arcádica européia. Efetua a comparação das ribeiras (margens) do Ribeirão do Carmo situado no espaço de Minas, com as ribeiras de outros dois espaços: o da Europa, representado por ´´álamo copado`` e o da Arcádia, representado por ´´ninfa``. Percebe-se, inicialmente, que a natureza brasileira está destituída de qualquer ideário mitológico e não funciona como palco para uma paisagem demasiadamente bucólica.
Após a definição negativa do campo mineiro, dada na segunda estrofe, que diz o que não é, vem a definição da característica principal de Ribeirão do Carmo: a extração do ouro (um lugar em que se ceva e se satisfaz a ambição de enriquecimento). Surge aí a contraposição antitéticas entre os valores materiais (ouro) e imateriais (cultivo da poesia). Logo, na 3ª estrofe, fica clara a razão para que o ´´pátrio Rio`` permaneça na lembrança, eternizado na poesia: em suas águas esconde-se o ´´riquíssimo tesouro``.
Por pertencer a uma época de transição, o poeta não se livra tão facilmente dos vestígios da moda literária do século precedente. Na última estrofe, o poeta expressa seus sentimentos através de imagens, que remetem o leitor ao paralelo entre a intensidade dos raios do sol e dos reflexos do ouro, num recurso à analogia de base sensorial, típica do Barroco, tendo como desfecho um jogo metafórico: os raios do sol (´´planeta louro``) funcionam como um fogo que se mineraliza e ´´penetra`` nas águas. Fruto dessa fecundação (feita como chamas), nas veias do Ribeirão (como se fossem entranhas), converte-se, dentro dele, no pó de ouro que brota do seu seio.
Assumindo uma concepção de poesia já claramente influenciada pelo Arcadismo, o texto faz surgir uma das constantes da poesia de Cláudio: o contraste entre a tradição poética civilizada (expressa na idealização da paisagem bucólica, que remonta à Antiguidade) e a realidade rústica do Brasil-Colônia, então atravessando o ciclo da mineração.

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