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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Soneto: Convite à Marília - Bocage



Já se afastou de nós o Inverno agreste
Envolto nos seus úmidos vapores;
A fértil Primavera, a mãe das flores,
O prado ameno de boninas veste.

Varrendo os ares, o sutil Nordeste
Os torna azuis; as aves de mil cores
Adejam entre Zéfiros e Amores,
E toma o fresco Tejo a cor celeste.

Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo.

Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quanto me agrada mais estar contigo
Notando as perfeições da Natureza!

Vocabulário
Bonina: planta também conhecida como maravilha.
Sutil: tênue, delgado, fino, delicado.
Nordeste: vento que sopra do ponto a 45º do N e do E.
Adejar: bater as asas para manter-se em equilíbrio no ar.
Zéfiro: vento do ocidente, vento suave e fresco, personificação mitológica desse vento.
Amores: divindades da mitologia, subordinadas a Vênus e Cupido.
Tejo: o rio mais importante de Portugal.
Lograr: gozar, desfrutar, aproveitar.
Prado: campo.
Ameno: tranquilo.
Vã: inútil.

A obra poética de Bocage apresenta duas fases: a árcade, em que cultiva os temas e as formas comuns ao movimento; e a pré-romântica, em que apresenta inovações quanto aos temas e à visão de mundo, apesar de formalmente ainda se prender à orientação clássica. Encontramos, na fase inicial da poesia de Bocage, uma acomodação aos clichês árcades: pastores, pastoras, ovelhinhas, ribeiros, prados tranquilos, seres mitológicos. Nota-se a preocupação em seguir as convenções neoclássicas.

Os escritores clássicos gregos e latinos produziam certas fórmulas de expressão que, retomadas ao longo dos tempos, chegaram até nossa modernidade. Uma dessas fórmulas é a chamada tópica do lugar ameno (locus amoenus), ou seja, a evocação literária de um recanto ideal, delicado, geralmente bucólico, cuja paz, tranquilidade, harmonia e equilíbrio servem de palco ao idílio dos amantes e o sossego da vida. Simboliza o porto almejado ou o retorno à felicidade perdida. Os escritores do Arcadismo pretendem retomar o mesmo estilo, quer voltando às obras da antiguidade clássica, quer inspirando-se nos modelos renascentistas.

Comentários sobre o poema

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Este poema pode ser considerado exemplarmente arcádico, na medida em que delineia uma paisagem bucólica e tranquila, onde todos os elementos da Natureza estão em harmonia. Além disso, ressalta certas atitudes tipicamente árcades, tais como: fugerem urbem, simplicidade e clareza das ideias e da linguagem; e a manutenção da tradição clássica, expressa pela mitologia greco-latina e pelo soneto italiano (catorze versos decassílabos, distribuídos em quatro estrofes – duas quadras e dois tercetos – com esquema de rimas ABBA ABBA CDC DCD).
Na primeira estrofe, o eu lírico descreve a sucessão harmoniosa que preside o ciclo das estações. A ´´ fértil Primavera `` floresce (é o resplendor da existência; época do amor e da fertilidade, beleza e bem-estar) e transforma a Natureza devastada pelo ´´ Inverno agreste ``(desolação e esterilidade), em uma paisagem que é perfeita, pura e bela( ´´O prado ameno de boninas veste``).
Para facilitar o entendimento do soneto, o estilo neoclássico, do qual Bocage foi um dos grandes expoentes em Língua Portuguesa, se caracteriza, entre outros aspectos, pelo uso de hipérbatos (versos 1, 2, 4, 5, 6, 8, 10,11e 12), isto é, de inversões da ordem normal das palavras na oração ou da ordem das orações no período. A título de exemplo, os versos 1 e 2, pela ordem direta ficariam: ´´O inverno agreste, envolto nos seus úmidos vapores, já se afastou de nós. ``
Na segunda estrofe, é apresentada uma aquarela pastoril segundo as regras convencionais do Arcadismo. A expressão ´´ Varrendo os ares`` contribui para representar o movimento do vento (personificação) afastando as nuvens, permitindo o céu claro refletido na superfície do rio (´´ E toma o fresco Tejo a cor celeste ``). Toda envolta em azul, a Natureza rescende a tranquilidade: paisagem epidérmica acariciada pelo sopro ameno e sutil do Nordeste. Seres naturais (construídos através da hipérbole ´´ aves de mil cores ``) e mitológicos (´´Zéfiros e Amores´´) acabam fazendo parte de um único espaço capaz de harmonizar as partes (água e céu) de um todo (o quadro idílico pronto para receber os amantes – locus amoenus).
Nesse sentido, o eu lírico, na terceira estrofe, convida a sua amada para compartilhar desse momento de contemplação (´´ Vem, ó Marília, vem lograr comigo´´), desfrutando, assim, das belezas saudáveis do ambiente campestre (bucolismo), para que a harmonia amorosa também seja perfeita. O amor do poeta árcade era muitas vezes expresso pela idealização de uma figura feminina, invocada quase sempre por um pseudônimo (Marília). Ela aparece apenas como uma referência, um ser irreal e distante.
Assim como no Classicismo, a natureza para o árcade é vista de maneira harmoniosa e dessa harmonia participa o casal de namorados. A vida urbana, nesse contexto, é considerada como frívola, falsa, enganadora, insignificante. Este contraste é percebido na última estrofe. O culto à natureza opõe-se ao artificialismo urbano (´´Deixa louvar da corte a vã grandeza``), ilustrando, então, o tema do fugerem urbem isto é, expressão em latim que significa ´´fugir da cidade``. É a convencional crítica aos prazeres da vida cortesã, que acaba sendo desprezada em favor de uma vida no campo.

8 comentários:

  1. Um belo soneto, inesquecível de fato...

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  2. Que legal o seu blog!
    Tambpem gosto de literatura e é legal ler com um voccabulário pra ajudar
    to seguindo

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  3. Oi eu sou de Belém do Pará, estou fazendo cursinho e achei o seu blog um máximo.

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  4. This really is a beautiful poem... even though I had to translate it to read it, haha!

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  5. interesting piece, nice study on the mythology as well for me as it's new :)
    my entry: http://lynnaima.wordpress.com/2011/11/27/wind-chime-melody/

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  6. cool piece, classical imagery.



    Welcome joining us for poets rally week 57,
    A random poem or a free verse is okay.
    Hope to see you in.

    Happy Weekend!
    Your input is highly appreciated!
    Xoxox

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  7. a powerful message, along with lovely nature imagery, well done.

    I read the translated version, loved it.

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  8. to be together to enjoy nature, pic goes well with it as well, nice gooseberry entry! :)
    http://lynnaima.wordpress.com/2012/01/10/nakedness/

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