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sábado, 30 de janeiro de 2010

Figuras de som

Aula literatua comparada: Bakhtin e o Herói

São aquelas que exploram a sonoridade das palavras para obter maior expressividade, como a aliteração, a onomatopéia, a assonância e a paranomásia.

Aliteração: consiste na repetição de um determinado som consonantal em uma sequência de palavras, com a intenção de dar ênfase ou realce.

"Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas."

(Cruz e Souza)

Essa famosa estrofe do poema" Violões que choram", construída com aliterações da letra “v”, talvez seja uma das mais sonoras e belas passagens da poesia brasileira.

"Eterna é a flor que se fana
se soube florir."

(Carlos Drummond de Andrade)

No exemplo acima, a aliteração da consoante "f" serve à musicalidade dos versos e, de certo modo, por ser a mesma inicial do substantivo e dos verbos, une "flor" às suas ações : "fanar/florir". Completa a suavidade sonora dos versos a aliteração em "s", de modo que o conjunto inteiro soa musicalmente orgânico.

"A bela bola rola:
A bela bola do Raul."

(Cecília Meireles)

A repetição do fonema "b" pode sugerir a ideia de bola, assim como o agrupamento e o envolvimento de atletas em torno da bola, fechando o círculo.

Coliteração: é a repetição de consoantes homorgânicas(uma surda, outra sonora): [t], [d], – [p],[b] – [f], [v] etc.

"Num cortejo de cânticos alados"

(Cruz e Sousa)

Onomatopéia: imitação de ruídos através de sons da língua. Muitas vezes uma onomatopéia passa a fazer parte do sistema da língua, tornando-se palavra comum. É o caso, por exemplo, de palavras que expressam sons produzidos por animais: zurrar, coaxar etc. Neste caso, não temos linguagem figurada. A onomatopéia só é figura quando tem uma função expressiva que diferencia seu uso.

A canção dos tamanquinhos

Troc... troc... troc... troc...
ligeirinhos, ligeirinhos,
troc... troc... troc... troc...
vão cantando os tamanquinhos...

Madrugada. Troc... troc...
pelas portas dos vizinhos
vão batendo, troc...troc...
vão cantando os tamanquinhos...

Chove. Troc...troc...troc...
no silêncio dos caminhos
alagados, troc... troc...
vão cantando os tamanquinhos...

E até mesmo, troc...troc...
os que têm sedas e arminhos,
sonham, troc... troc... troc...
com seu par de tamanquinhos.

(Cecília Meireles)

Verificamos, ao longo do poema, a presença das rimas consoantes que estão presentes em todas as quadras. A sonoridade ganha mais força pela presença da onomatopéia “troc...troc...troc...”, um recurso estilístico utilizado pela autora para representar o som produzido pelo atrito do salto dos tamanquinhos no chão molhado pela chuva.

"Sino de Belém, como soa bem!
Sino de Belém bate bem-bem-bem.
Sino da Paixão… Por meu pai?… - Não! Não!…
Sino da Paixão bate bão-bão-bão."

(Manuel Bandeira)

Nesses versos, a onomatopéia não visa à mera imitação do toque do sino: nos dois primeiros, "bem-bem-bem" ecoa "Belém", que não só já é onomatopéico em si m", de sentido positivo. Por contraste, "bão-bão-bão" sugere tristeza: rima com um advérbio negativo, ecoa "Paixão"( morte de Cristo e do pai do eu-poético) e, finalmente, tem sonoridade fechada, escura.

Assonância: é a aproximação ou conformidade fonética entre vogais tônicas de palavras diferentes. É uma homofonia de sons vocálicos que, muitas vezes, prolonga o efeito da rima.

"Água fria fica quente,
Água quente fica fria
Mas eu fico frio
Sem a tua companhia"

(Manuel Bandeira)

Enquanto a aliteração consiste na repetição de sons consonânticos, podendo ter uma função imitativa, a assonância recai sobre a repetição de sons vocálicos, podendo substituir o efeito da rima.

Paranomásia: é a aproximação de palavras semelhantes pelos sons(parônimas), mas cujos sentidos originariamente não se relacionam. No ato criativo da figuração os sentidos acabam, de alguma forma, aproximando-se.

Dulce, doce Dulce
menina do campo
de olhos verdes de água
de água e pirilampo

Doce, Dulce doce, dócil
estendendo pelo sol lençóis
entre anil e vento

Dócil, doce Dulce
de face vermelha
doce rosa airosa
a fugir da abelha
da abelha, de vespas
e besoiros tontos
pelo arroio de oiro
de seixos redondos

(Canção para Dulce - Cecília Meireles)

A paranomásia, que marca os primeiros versos das três primeiras estrofes da composição (Dulce, doce, dócil) , além de caracterizar a menina, marca foneticamente um determinado momento, no qual o desenvolvimento lingüístico serve de intermediário entre a experiência lúdica com a língua e a iniciação literária.

Outros exemplos:

" Como um eco que vem na aragem
A estrugir, rugir e mugir..."

(Manuel Bandeira)

"Os magnetos atraem o ferro, e os magnatas o oiro."

"Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias"

(Padre Vieira)

"Sagres sagrou então a Descoberta..."

(Miguel Torga)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A estrofe

Últimos Sonetos, de Cruz e Souza

Estrofe ou estância é o nome que recebem os agrupamentos de versos dispostos no poema. A estrofe deve ter uma coerência interna, quanto à ideia , às rimas e ao ritmo, ainda que as rimas possam se relacionar com versos de outras estrofes.


Quanto ao número de versos agrupados, as estrofes recebem diferentes denominações, em relação à composição ou à forma:


1) Monóstico : é a estrofe que possui um só verso( uma só linha). No verso tradicional seu emprego é escassíssimo. Vez por outra, encontramos uma estrofe destacada, geralmente separada do último terceto(estrofe que possui três versos).

´´Sobre o teu colo deixa-me a cabeça
Repousar, como há pouco repousava...
Espera um pouco! deixa que amanheça!"

E ela abria-me os braços. E eu ficava.``

(Bilac)

2) Dístico ou Parelha: é a estrofe que possui dois versos.

´´E tornei a voltar por uma estrada
Erma, na solidão, abandonada.

Caminhos maus, atalhos infinitos
Por onde só ouvi ânsias e gritos.``

(Cruz e Sousa)

3) Terceto: é a estrofe que possui três versos.

´´Andas em vão na Terra, apodrecendo

À toa pelas trevas, esquecendo

A Natureza e os seus aspectos calmos.``


(Cruz e Sousa)


4) Quadra ou Quarteto: é a estrofe que possui quatro versos. Usada na primeira parte do soneto, e, quando heptassílaba constitui sozinha um poema, recebe o nome de trova ou quadrinha.


“Trigueirinha, ─ foge, foge,

─ Vê que eu não sou trovador,

Eu sou filósofo, ─ ouviste?

Eu não entendo de amor.”


( Junqueira Freire)


5) Quintilha: é a estrofe que possui cinco versos.


´´Busco, em vão, aos encantos da paisagem

e aos embates da vida um fim qualquer,

Dissimulo-me em bárbaro e selvagem...

Mas, no fundo de tudo, há sempre a imagem,

uma instintiva imagem de mulher.``


(Hermes Fontes)


6) Sextilha: é a estrofe que possui seis versos.


´´Amigo! O campo é o ninho do poeta...

Deus fala, quando a turba está quieta,

Às campinas em flor.

— Noivo — Ele espera que os convivas saiam...

E n'alcova ,onde as lâmpadas desmaiam,

Então murmura — amor —


(Castro Alves)


7) Setilha, Sétima, Setena ou Hepteto: é a estrofe que possui sete versos.


´´Meses depois, as gazetas

Darão críticas completas,

Indecentes e patetas,

Da minha última obra

E eu─ p'ra cama outra vez,

Curtindo febre e revés,

Tocado de Estrela e Cobra ...``

(Mário de Sá Carneiro)


8) Oitava: é a estrofe que possui oito versos.


´´Se eu morrer muito novo, oiçam isto:

Nunca fui senão uma criança que brincava.

Fui gentio como o sol e a água,

De uma religião universal que só os homens não têm.

Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,

Nem procurei achar nada,

Nem achei que houvesse mais explicação

Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.``


(Fernando Pessoa)


9) Nona, novena ou eneagésima: é a estrofe que possui nove versos.


´´Quando eu nasci, raiava
O claro mês das garças forasteiras:
Abril, sorrindo em flor pelos outeiros,
Nadando em luz na oscilação das ondas,
Desenrolava a primavera de ouro;
E as leves garças, como olhas soltas
Num leve sopro de aura dispersadas,
Vinham do azul do céu turbilhonando
Pousar o vôo à tona das espumas...``


(Vicente de Carvalho)


10) Décima: é a estrofe que possui dez versos.


´´Também eu ergo às vezes
Imprecações, clamores e blasfêmias
Contra essa mão desconhecida e vaga
Que traçou meu destino... Crime absurdo
O crime de nascer! Foi o meu crime.
E eu expio-o vivendo, devorado
Por esta angústia do meu sonho inútil.
Maldita a vida que promete e falta,
Que mostra o céu prendendo-nos à terra,
E, dando as asas, não permite o vôo!``


(Vicente de Carvalho)


11) Irregulares: são todas as estrofes que possuem mais de dez versos.


´´Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia
O ramo da esperança. — Eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao pegureiro.
Eras a messe de um dourado estio.
Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, — a inspiração, — a pátria,
O porvir de teu pai! — Ah! no entanto,
Pomba, — varou-te a flecha do destino!
Astro, — engoliu-te o temporal do norte!
Teto, caíste! — Crença, já não vives!``


(Fagundes Varela)



domingo, 24 de janeiro de 2010

Rimas(classificações)

Rima é um recurso que também ajuda a conferir musicalidade ao poema, com base na conformidade ou coincidência de fonemas(sons), geralmente no final de dois versos diferentes, podendo ocorrer também entre vocábulos no interior dos versos(rima interna).


Os versos de uma estrofe podem estar rimados entre si, em diversas combinações possíveis, como o primeiro rimar com o segundo, o primeiro com o terceiro, o primeiro com o quarto, o segundo com o terceiro, o segundo com o quarto etc.


Para efeito de análise, convencionou-se designar cada rima do poema por letras do alfabeto: primeiro tipo, A; segundo tipo, B; terceiro tipo, C; e assim por diante.


Estavas, linda Inês, posta em sossego, (A)
De teus anos colhendo doce fruito, (B)
Naquele engano da alma, ledo e cego, (A)
Que a fortuna não deixa durar muito, (B)
Nos saudosos campos do Mondego, (A)
De teus fermosos olhos nunca enxuito, (B)
Aos montes insinando e às ervinhas (C)
O nome que no peito escrito tinhas. (C)


(Camões - Os Lusíadas, canto 120)

A obra Os Lusíadas é um poema épico escrito por Luís de Camões, publicado em 1572. É constituído por dez cantos; cada canto possui um número variável de estrofes de oito versos (oitava), sendo cada verso composto por dez sílabas (decassilábico). A rima é cruzada nos seis primeiros versos e emparelhada nos dois últimos (ab ab ab cc).

Classificação das rimas

1º) Quanto à acentuação tônica:

a) Agudas: Quando a palavra final do verso for oxítona ou monossílabo tônico.

´´A medo lanças em mim?
No aperto de minha mão
Que sonho do coração
Tremeu-te os seios assim?``

(Álvares de Azevedo)

b) Graves: Quando os versos terminam com palavras paroxítonas.

´´E ela: "Vivo não és! Jurei domar um homem,
Mas de beijos não sei que a pedra fria domem!"

(Bilac)

c) Esdrúxulas ou Datílicas: Quando as palavras finais dos versos são proparoxítonas.

"Sobre as ondas argênteas do Adriático
Passa à noite o gondoleiro, e canta
E dobra a fonte, lânguido, cismático."

(Raimundo Correa)

2º) Quanto à coincidência de sons:

a)Rima perfeita, soante ou consoante: há correspondência completa de sons.


´´Tinha um berão pequenino

E uma criada velha com seu terão

Cresci de mais, como o destino!

Cresci de mais para o meu berão``


(José Régio)


b)Rima imperfeita, toante ou assoante: não há correspondência completa de sons.


´´ Ó meu ódio, meu ódio majestoso

Meu ódio santo e puro e benfazejo

Unge-me a fonte com teu grande beijo,

Torna-me humilde e torna-me orgulhoso.``


(Cruz e Sousa)


3º) Quanto ao vocabulário:


a) Rima pobre: Quando as palavras que rimam, pertencem à mesma classe gramatical.


´´Entre as ruínas de um convento,

De uma coluna quebrada

Sobre os destroços, ao vento

Vive uma flor isolada.``


(Alberto de Oliveira)


b) Rima rica: Quando as palavras que rimam, pertencem a classes gramaticais diferentes.


´´O coração que bate neste peito

E que bate por ti unicamente,

O coração, outrora independente,

Hoje humilde, cativo e satisfeito;``


(Luís Guimarães Jr.)


c) Rima rara: Feita entre palavras com reduzida possibilidade de rima, difíceis de encontrar ou com vocábulos pouco usados.


´´Penso que, no negror da meia em que surgis,

Deveis ser, pela alvura ebúrnea e macilenta,

Dois lírios côr de neve em dois vasos de ônix.``


( Antônio Feijó)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Métrica e ritmo

Opondo-se à prosa, o verso é a forma literária que obedece a normas de métrica, ritmo e rima. A simples apresentação dos textos em verso, ou poemas, permite sua imediata identificação. Cada linha de um poema é um verso e cada bloco de versos forma uma estrofe. De uma maneira mais específica, podemos definir verso como uma sílaba ou sucessão de sílabas sujeitas a medida e a ritmo pré-estabelecidos. Por medida, entende-se um determinado número de sílabas métricas ou poéticas, e por ritmo, o resultado de uma distribuição cadenciada e harmonia de acentos intensivos (também chamados acentos tônicos) no verso, de tal forma que a sensação rítmica se percebe pelo retorno da sílaba tônica, após intervalos regulares.

Em alguns poemas, percebemos versos regulares quanto à metrificação ( estudo da medida dos versos), isto é, todos os versos apresentam um mesmo número de sílabas poéticas. Essa medição de um verso é feita a partir de sílabas, ou seja, de emissões sonoras. Para que se possa proceder à metrificação de um poema é necessário fazer a escansão de seus versos, ou seja, a contagem das sílabas métricas que compõem os versos de um determinado poema.

A contagem de sílabas métricas não é semelhante à contagem de sílabas normais. Isso porque uma vogal átona do fim de uma palavra que se encontre com outra vogal pode a ela unir-se, constituindo o que chamamos de elisão. Difere-se, também, pelo fato de serem desconsideradas todas as sílabas que, na última palavra do verso, aparecem após a sílaba tônica.

Enfunando os papos (verso original)

En – fu – nan – do – os – pa – pos (divisão silábica normal)

1---- 2---- 3--- 4--- 5---- 6---- 7

En – fu – nan – dos – pa – pos ( sílaba desconsiderada)

1---- 2----3---- 4-- --5 (sílabas métricas)

No verso apresentado, ocorre elisão entre as vogais (em do + os). A sílaba que ocorre após a tônica, na última palavra do verso(papos), foi desconsiderada para fins de contagem. O mesmo tipo de eliminação da última sílaba acontecerá em todos os outros versos da estrofe:

Enfunando os papos,

Saem da penumbra, (cinco sílabas métricas /redondilha menor)

Aos pulos, os sapos.

A luz os deslumbra.

(Manuel Bandeira)

Obs.:

Redondilha menor e maior são versos com, respectivamente, cinco e sete sílabas.As redondilhas produzem um ritmo circular, bastante usado nas trovas populares. Alguns poetas utilizaram e utilizam essa métrica, obtendo interessantes efeitos sonoros. Gonçalves Dias, por exemplo, poeta romântico brasileiro, explorou as redondilhas para obter os mais variados efeitos. Abaixo, fragmento de ´´I-Juca Pirama``, escrito em redondilhas menores:

´´Sou bravo, sou forte,

Sou filho do Norte;

Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi.``

Agora, observamos o ritmo cadenciado da ´´Canção do exílio``, escrito em redondilhas maiores :

´´Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.``

Na contagem de sílabas poéticas, as palavras estão ligadas umas às outras mais intimamente, é o que confere ao texto o ritmo e a melodia próprios dos versos.
Os versos que não obedecem a uma regularidade métrica são chamados versos livres.

Para atender à métrica:

´´Que/ pó/ de /dar/ sau / da/de/ à /sa / u/ da/ de``

-----------------(ditongo)-------- (hiato)

Neste verso de Camões, a mesma palavra – saudade – aparece duas vezes.Na primeira com o encontro au em ditongo, na segunda em hiato. A licença poética permite a expansão ( transformação de ditongos em hiatos), tecnicamente chamada diérese e a contração(transformação de hiatos em ditongos), tecnicamente chamada sinérese, dos versos. A sinalefa e a crase ou elisão constituem duas formas de contração de versos tendo em vista a sua homogeneidade métrica

Dependendo do número de silabas métricas em determinado verso, podemos atribuir-lhes nomes, conforme os exemplos abaixo:

Redondilha maior ou heptasssílabo: sete sílabas

´´An /tes/ de a/ mar /eu /di /zi /a``

--1--2-- 3--- 4--- 5-- 6-- 7

Dodecassílabo ou alexandrino: 12 sílabas

´´Re/ boa/ vas / ao/ tro/ pel/ dos/ ín/ dios/ e / das/ fe/ ras``

--1 -- 2--- 3-- 4- - 5-- 6-- 7-- 8-- 9-- 10 - 11- 12

Um verso de dez sílabas chama-se decassílabo ( muito comum em sonetos e presente em Os Lusíadas de Luís de Camões; instituiu-se a chamada medida nova). Existem três tipos , cuja classificação se dá em função do seu ritmo:

Decassílabo sáfico – Tem pausas nas 4.ª, 8.ª e 10.ª sílabas:

´´ Ca/ da um/ de/ nós/ faz / su/ a/ pró/ pria / len/ da``

---1 --- 2 --- 3-- 4--- 5-- 6- 7-- 8-- 9--- 10

Decassílabo imperfeito – Tem pausas na 4.ª e 10.ª sílabas:

´´Cou/be u/ma/ lâm/ pa/ da a/ ma/ ra/ vi/ lho/sa``

--1 -- 2 ---3-- 4 -- 5 -- 6--- 7 -- 8- 9--10

Decassílabo épico ou heróico – Suas pausas são na 6.ª e 10.ª sílabas:

´´As/ ar/mas/ e os/ ba/ rões/ as /si /n a /la /dos``

--1-- 2-- 3-- 4--- 5-- 6--- 7-- 8--9 -10

Os demais metros também recebem o nome referente ao número de sílabas que os constituem:

Monossílabo : 1 sílaba

Dissílabo : 2 sílabas

Trissílabo : 3 sílabas

Tetrassílabo: 4 sílabas

Pentassílabo ou Redondilha Menor: 5 sílabas

Hexassílabo: 6 sílabas

Octossílabo: 8 sílabas

Eneassílabo: 9 sílabas

Hendecassílabo: 11 sílabas

Barbaro: 12 ou mais sílabas poéticas

Versos isométricos
A poesia clássica elaborava preferencialmente poemas com versos isométricos, isto é, com a mesma medida. Por exemplo, a epopéia camoniana foi construída toda ela com versos decassílabos.

Versos heterométricos
A poesia moderna por ser revolucionária, vanguardística, substituiu o verso metrificado pelo verso livre, isto é, livre de qualquer forma de fôrma pré-estabelecida, não tendo nem regularidade métrica nem rima. Alguns poemas de autores modernos podem valer-se de versos metrificados e com rimas, mas sem preocupação com uma determinada regularidade. São os versos heterométricos, metrificados mas com grande variação.




quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Figuras de linguagem: a sinestesia

As figuras de linguagem são empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais significativa. É um recurso lingüístico para expressar experiências comuns de formas diferentes, conferindo originalidade, emotividade ou poeticidade ao discurso. Produzem determinadas estratégias com o propósito de despertar alguns efeitos na interpretação do leitor. Podemos classificá-las em quatro grupos:

- Figuras de palavras (ou tropos);

- Figuras de construção (ou de síntese);

- Figuras de pensamento;

- Figuras de som.

As figuras de palavras consistem no emprego de um termo com sentido diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um resultado mais expressivo na comunicação. Além disso, elas fazem com que a língua se torne mais econômica, uma vez que uma única palavra, dependendo do contexto, pode assumir os mais diferentes significados.


A sinestesia é uma destas figuras de palavras que tem como objetivo atuar no cruzamento de várias sensações, de que participem, com ênfase, os sentidos.É uma espécie de metáfora que relaciona planos sensoriais diferentes.


Utilizada na literatura desde a Antiguidade Clássica, a sinestesia consagrou-se no século XIX, graças a Baudelaire, poeta francês precursor do Simbolismo. No Brasil, seus principais representantes foram Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens.


´´Nasce a manhã, a luz tem cheiro...Ei-la que assoma

Pelo ar sutil...Tem cheiro a luz, a manhã nasce...

Oh sonora audição colorida do aroma!``


(Alphonsus de Guimaraens)


Nesse fragmento, associam-se sensações visuais (a luz) com sensações olfativas (tem cheiro); associam-se ainda três sensações distintas: auditivas (sonora audição), visual (colorida) e olfativa (do aroma).


Em suma, a sinestesia consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma expressão. Essas sensações podem ser físicas (paladar, audição, visão, olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas).


´´A lua luz em veludo

barba longa

repingada de violetas.``


Neste fragmento de Guimarães Rosa, ´´luz em veludo`` constitui uma sinestesia, já que ´´luz`` é uma sensação visual e a ela se atribui uma característica de tato: ´´em veludo``.


´´É uma sombra verde, macia e vã.`` (visão x tato)

(Carlos Drummond de Andrade)


´´Vem da sala de linotipos a doce música mecânica.`` (paladar x audição)

(Carlos Drummond de Andrade)



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O gênero lírico e suas formas poéticas fixas

No gênero lírico podem ser encontradas muitas formas poéticas, algumas muito antigas, outras mais modernas, que se caracterizam por apresentar determinado número de versos ou determinado ritmo. Geralmente são chamadas formas poéticas fixas. As mais comuns são:


Ode – Palavra de origem grega, significa ´´canto``. Denomina composições líricas de tom normalmente solene e entusiasta, que podem falar de temas extremamente variados, desde os prazeres da mesa até a exaltação de valores nobres como : a qualidade dos grandes gênios, a pátria, as celebrações de vitórias em jogos ou batalhas, o amor, e outros sentimentos elevados.


Elegia – Surgida na Grécia antiga, é uma composição poética triste e pessoal, cheia de sentimentalismo, normalmente causado por determinado acontecimento como, por exemplo, a morte, a prisão, o exílio ou a guerra. O Cântico do Calvário, de Fagundes Varela, é, sem dúvida, a mais famosa elegia da literatura brasileira, inspirada na morte prematura de seu filho.


Écloga – palavra de origem grega, significa seleção. Poesia de tema pastoril, que retrata a vida no campo, a vida bucólica, tendo como cenário uma natureza idealizada. O emissor expressa uma homenagem à natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao homem.


Canção – A palavra evoca as relações entre a poesia e a música e é designada para vários tipos de composições líricas. De acordo com o assunto, ela pode ser chamada de: canção amorosa (ou cantiga de amigo e cantiga de amor), canção satírica (ou cantiga de escárnio e mal-dizer), cantata (quando a canção se debruça em um assunto elevado), madrigal (quando a canção exprime o galanteio dos namorados) etc.


Soneto – Significa ´´pequeno som``.A mais bela de todas as formas poéticas e a mais apreciada pelos nossos poetas. Surgido na Itália, no século XIII, e difundido por Petrarca, no século XIV, é uma composição poética de catorze versos distribuídos em dois quartetos (estrofes de quatro versos) e dois tercetos( estrofes de três versos), É praticamente a única forma fixa que chegou intacta até nossos dias.



O gênero lírico


O gênero lírico caracteriza-se por ser uma manifestação do ´´eu`` (primeira pessoa: sujeito lírico; função emotiva da linguagem). É a verdadeira essência do coração; a voz que fala no poema, que nem sempre corresponde à do autor. É, sobretudo, a valorização de um sentimento pessoal, revelando, assim, o chamado ´´ eu - lírico``, que assume a finalidade de expressar toda a sua subjetividade como: emoções, pensamentos , estados da alma; enfim, o mundo interior do poeta. A musicalidade é uma característica importante do texto lírico (o que mais explora a sonoridade) .Embora o lirismo também possa ocorrer na prosa(uma percepção poética da realidade), a expressão mais direta e natural do gênero lírico apresenta-se na poesia.


A palavra lírico, assim como seu cognato lirismo, deriva de lira(instrumento musical de cordas utilizado desde a Antiguidade clássica para acompanhar as composições poéticas, que eram criadas para serem cantadas em voz alta).No final da Idade Média, ao separar-se o texto da música, a poesia passou a conter uma estrutura mais rica: a métrica (medida de um verso, definida pelo número de sílabas poéticas), o ritmo das palavras, a divisão em estrofes, a rima e a combinação das palavras. A composição lírica é geralmente curta e se utiliza do verso, apelando quase sempre para a melodia e envolvendo os recursos da linguagem poética.


Para compreensão do texto lírico, convém esclarecer que o conteúdo da poesia lírica não é o mundo objetivo, real, palpável, mas os sentimentos que ele provoca no leitor. A linguagem poética é muito particular e, para entendê-la, é necessário um certo envolvimento, familiaridade que só será possível mediante uma leitura cuidadosa e frequente de poemas. Ao mergulhar em si mesmo e expor seus sentimentos, o poeta assume uma postura múltipla ( fala por muitas pessoas que assim se sentem e às vezes não sabem expor seus sentimentos). Não estará neste aspecto a necessidade e o encanto da poesia?


A busca insensata


Saindo a minha procura

Fui por caminhos travessios

E vales e rios.

Pisei areias inumeráveis,

Bebi em muitos mananciais

E em sonhos escalei

Penedos que eram ninhos de relâmpagos.

Mas a minha sede — a de ser eu mesmo —

Não se saciou jamais.


(Ledo Ivo)


Percebe-se que o poeta cria um eu-lírico que fala de seu mundo interior, na ânsia de se conhecer e saber de si. Ele se manifesta em versos livres ( são os que não têm preocupação métrica, nem com rimas, nem com estrofes) e brancos(são os que não têm rima), usando e abusando da polissemia( uma mesma palavra ter vários significados) e da conotação.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Gêneros literários

A linguagem é o veículo para escrever uma obra literária. Escrever uma obra literária corresponde a um exercício lúdico para trabalhar com a linguagem. Os gêneros literários são as várias formas de trabalhar a linguagem, de registrar a história, e fazer com que essa determinada linguagem seja um instrumento de conexão entre os diversos contextos literários que estão dispersos ao redor do mundo.


A história é um fator fundamental para o entendimento de toda a literatura. É ela que traduz, através da linguagem, o momento histórico que lhe dá origem.


Quando falamos em gêneros literários, temos mais uma vez que levar em conta a historicidade: eles evoluíram, transformaram-se, misturaram-se, uns surgiram, enquanto outros desapareceram, através dos séculos.


A primeira divisão em gêneros data da Grécia Antiga e é feita por Aristóteles em sua Arte Poética. Segundo ele, é possível identificar três gêneros de manifestação literária: o lírico, o épico e o dramático, correspondendo cada um deles à forma de expressão de determinada experiência humana. Essa questão da definição dos gêneros ainda é objeto de discussão entre críticos e historiadores, mas a apresentação aristotélica é amplamente aceita. Prefere-se, atualmente, a divisão em lírico, dramático e narrativo, pois o épico praticamente desapareceu.


Ao acompanharmos textos literários, notamos que as mesmas características aparecem em vários deles. Pelo fato de apresentarem claras afinidades entre si, nós o agrupamos em blocos. Cada um desses grandes grupos ( condensados através destes blocos) de texto constitui o que se convencionou chamar de gênero literário.


Não existe até agora uma tipologia fixa dos gêneros. É difícil, portanto, dar uma classificação precisa e imutável, não só porque as categorias se multiplicam ou se combinam, mas também porque um gênero pode evoluir. A regra clássica de separação dos gêneros, que proibia a mistura do trágico e do cômico, ou a justaposição numa mesma obra de gêneros diferentes, por exemplo, já não é respeitada desde o séc. XVIII.


Algumas características elementares dos gêneros literários:


Gênero dramático: Texto para ser representado (só há personagens); mundo objetivo; obediência a um determinado enredo, com respeito às noções de tempo e espaço; as características das personagens são dadas por sua ação e pelas rubricas( a rubrica indica a movimentação dos atores; vem, em geral, em tipos menores e entre parênteses).


Gênero lírico: Não há narrador (presença do eu-lírico, isto é, a voz que expressa a emoção); mundo subjetivo; não há seqüência de fatos; não há personagens.


Gênero narrativo :As ações dos personagens são contadas por um narrador; narrador em primeira ou em terceira pessoa; mundo objetivo; os fatos desenrolam-se em um período de tempo.